Arquivo para Abril, 2008

23
Abr
08

Essência

A coisa mais bacana que descobri sobre mim, nesses últimos tempos, é sobre algo que já preguei e acreditei no passado e que já nem lembrava mais. Aliás, acabei de lembrar que um dia já defendi esse assunto! Coisa louca…

É sobre a “essência”.

Você acredita que quando nascemos já possuímos caráter, índole e essência?

Pois eu já acreditei, desconfiei, desacreditei, esqueci, nunca mais pensei no assunto, até que, pelas circunstâncias, isso me veio a mente, novamente.

Percebi, devido a algumas atitudes minhas, que sou muito parecida com o que era, quando criança. E isso já faz um certo tempo, hehehe… Meu senso de justiça, por exemplo. Nunca me conformei ao ver alguém sendo injustiçado, descriminado, espizinhado. Isso sempre me incomodou. Outra coisa que não mudou: não escolho amigos pela classe social, pela raça, pela sexualidade… Nem deixo de falar com eles, se ao encontrá-los, descubro que não evoluíram economicamente ou intelectualmente, como eu. Sempre faço questão de cumprimentar antigos conhecidos, mesmo que não me retornem o cumprimento. Penso que posso ter mudado o corte de cabelo, por isso podem não ter me reconhecido. Outra característica que se mantém é meu jeito de falar, cheio de propriedade no assunto, mesmo que não saiba muito do que estou falando. Tenho talento pra “encher linguiça” sobre os mais diversos assuntos. Isso também me dá uma certa vantagem em me adaptar aos mais diversos círculos sociais e intelectuais. Tinha uma empregada, lá pelos meus 9 anos, que dizia: “Você é do tipo que sabe entrar e sair de qualquer lugar numa boa e, ainda por cima, cheia de novos amigos!”. Meu jeitinho de brava também continua o mesmo, tanto é que a coitada da secretária nova “se pela” de medo de mim (tadinha, se soubesse como sou manteiga derretida…). Mas, o que me chamou a atenção pra tudo isso, foi o fato de, quando pequena, ser apaixonada (amar mesmo!) pelo mesmo “menino” que sou apaixonada hoje. Isso, aos meus olhos, diz que, desde criança (e olha que eu tinha apenas 6 anos quando fiquei gamada no garoto! A paixão, que eu já chamava de amor durou até a 5ª série, ou seja, durou 5 anos. Pasmem: totalmente platônico!) eu já sabia o que queria, já sabia o que era bom pra mim, já sabia que aquele outro ser era meu par, mesmo que geneticamente falando, isso é muito louco de explicar!

Tenho muita sorte de não ter ido contra minha natureza. Todos temos uma. Nem sempre nos aceitamos como somos. Ainda mais, quando criança. Nesse momento, sem auto-estima, valores e caráter bem firmados, numa sociedade que preza “o normal”, ou seja, não dá espaço pro diferente ( que na verdade, é o que todos somos: DIFERENTES), o que nos torna únicos se perde, na inútil, enganosa e, finalmente, frustrante tentativa de sermos iguais aos demais.

Só os fortes sobrevivem!




 

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