Arquivo para Agosto, 2008

30
Ago
08

Balanço: Um ano.

Houve um tempo em que havia um apartamento onde todos se encontravam. Onde de tudo era permitido, até porque seus frequentadores eram pessoas de bem. ‘Tutti buona gente‘, pode crer, amizade! Era um lugar onde as pessoas se sentiam à vontade pra contar seus segredos malucos, para falar de seus dilemas amorosos, da vida, em geral. Todos que lá se conheciam, viravam amigos, porque o clima era bacana. Era um “quartel-general” da moçada.

E a variedade de tipos que se encontrava ali? Tinha de tudo! Gays, neguinho que mora em periferia, prostitutas, advogados, médicos, sapatões, sandalhinhas, surfistas e claro, muuuuitos dentistas! Muita gente se conheceu lá…

Mas um dia, a ciranda parou de girar. As pessoas ainda continuavam de mão dadas. Só que não giravam. Por que os que faziam aquilo tudo girar, resolveram que, por mais perfeito que aquilo tudo pudesse parecer, precisavam de algo mais.

As reações não foram boas e, a princípio, ela não entendeu o por quê. “Como as pessoas acham que podem saber o que é melhor para mim? Meus amigos deveriam apenas ficar feliz com a minha felicidade!”, proferia, magoada. Alguns amigos se afastaram, pela simples dissolução do que havia. Outros, porque necessitavam de um tempo pra se acostumar.

Um ano se passou. Incrivelmente. Rapidamente. Drasticamente.

A maioria dos amigos continua fiel.

E, hoje, ela entende o que seus amigos sentiram. Foi como se tivessem ficados órfãos, sem seu abrigo, sem um porto seguro. E eles entendem que ela estará sempre lá. E que são bem-vindos. SEMPRE.

Gathh3 agradece os amigos que tem.”

28
Ago
08

Xeretar dá nisso!

Costumo me auto-classificar como uma pessoa ambígua. Isso me confere o direito de pensar e agir de formas que nem sempre façam sentido. Saca aquele lance da metamorfose ambulante? Well, is just it…

Acredito que ser assim, respeita tudo o que sou. Não luto contra minha natureza, criando um estereótipo de mim mesma. Ajo com naturalidade, coisa que às vezes, me embaraça, mas que no geral, só me beneficia. Tem muita gente que confia em mim por conta dessa espontaneidade.

Inicio este post assim pra dar sentido ao que vou dizer a seguir.

Um dos últimos posts que escrevi, “Quem não procura também acha”, falava sobre um blog que descobri muito, absurdamente, sem querer. Justamente, porque não me interessava em NADA ler o que estava escrito ali. Não havia realmente NADA que me acrescentasse. Caí ali e, só após ler alguma coisa, entendi do que se tratava. Sinceramente, me chateou. Como já disse.

E, também, no mesmo post, falei que voltaria ao tal blog para ler algo mais atual. Assim, possivelmente, deixaria a 1ª má impressão de lado…

Bem, pelo jeito, o proprietário do blog costuma passar por aqui. E leu este post. E matou o pobre do blog.

No epitáfio do blog disse que odeia gente que não conhece, não gosta, não admira, blábláblá, passando por lá e tomando conta da sua vida. PORRA! Se tu não fizesses o mesmo, nem saberia que te descobri!

Outro ponto, no mesmo post, foi o incômodo com a palavra INIMIGO. Tentou ironizar, dizendo ser coisa de 5ª série. Se incomodou…

Como aqui o espaço é meu, divagarei sobre o tema:

Ambiguidade não tem nada a ver com falta de postura. Se você NÃO AGUENTA MAIS esse MONTE de gente xeretando a sua vida, porque vem passear por aqui? Eu, não tenho nada contra. Volte sempre!

Inimigo é, indubitavelmente, coisa de gente grande. No primário, você até pode ter algum, mas que mal ele vai te fazer? Grudar-lhe chiclete no cabelo??? Quanto mais velhos, mais matreiros ficamos. Os inimigos se tornam mais poderosos, não acham? Tola fui eu, um dia, em crer que não possuía nenhum…

Pra finalizar, essa história toda pode ter um final bem bacana. Okay, complexo de Pollyana… Pode ser. Sempre penso pelo lado positivo, e não será diferente dessa vez. O blog é meu, já disse!

Retomando, acredito que finalmente a fase de mau agouro da figura pode ter acabado e agora ela vá se dedicar a escrever sobre as plantinhas crescendo no jardim, o amor na 3ª idade ou quem sabe, sobre a descoberta de um novo amor…

O mal não venceu não, ô! Quem vence sempre é o BEM!

15
Ago
08

“Dance Boliche”

Isso foi há alguns anos atrás.

Noite de sexta. Nossa nova diversão era ir ao boliche. Mas não era um boliche qualquer… Não senhor! Vou explicar como era.

Ficava dentro do Shopping da Praia Grande. Era novinho, todo bonito! E serviam bebida alcoólica!  E tinha DJ!

Quando dava meia-noite, as luzes se apagavam, os pinos ficavam neon e a luz estroboscópica deixava a gente com mais vontade de beber. E a gente dançava. E jogava boliche. E era uma loucura!…

Num belo dia, aliás, noite, bebi o de sempre: vodka com energético. Só que muito. Curti pacas, mas terminei no banheiro do boliche, querendo vomitar e achando que era impossível, pois havia operado uma hérnia no esôfago e, pelo que diziam, nunca mais conseguiria vomitar. Fiquei mal. Tive que ser levada no colo. No colo fui, no colo vomitei. Meu ex-marido só soube que eu estava vomitando, quando sentiu uma coisa quentinha lhe escorrer pelo cotovelo. Ele me levando e eu lavando o chão. Coitado, ele tão magricelo, atravessando a praça de alimentação do Shopping, estacionamento, até chegar ao carro… Ufa! Me leva pro Hospital. Soro glicosado na veia. Apago.

-” Tão bonitinha, toda vomitada… Hahahahaha!”.

(…)

-”Ô, acorda, já tá melhor? Consegue levantar, ir pra casa?”.

Abro os olhos remelentos e borrados de rímel, olho ao meu redor, minha cabeça ainda dói. E gira, mas isso só percebi quando levantei. Só que antes de levantar, olho para meus pés e…

Ai, meu deus! TÔ COM A PORRA DO SAPATO DO BOLICHE! Azul com vermelho, não combinava nada com a roupa que eu estava! Droga! Vou ao banheiro, lavar o rosto. O cheiro de vômito tá foda… Eca! Minha blusa tava toda vomitada, perto do pescoço. Lavei do jeito que deu.

Saí do quarto, procurando meu marido, provavelmente bodiado, sentado em alguma cadeira dura. Não achei. Perguntei pros enfermeiros. Me disseram que ele foi pra casa.

Caralho! Eu toda fodida, com a blusa vomitada, o olho borrado, sapato do boliche, sem um puto na carteira… (Aliás, que carteira?).

Não surtei. Fui pro orelhão e liguei pra ele.

-Vem me buscar?

-Ah… Pega um táxi, vai…

-Porra! Não tenho dinheiro, tu nem deixou nada!

-Relaxa, tu sobe em casa, pega o dinheiro, desce e paga o cara…

-Valeu.

Fiz o que ele falou. Móóóóór nhaca de vômito. Falando sério!

Entrei no táxi (cheiro insuportável do meu próprio vômito). Taxi-casa, Casa-dinheiro, dinheiro-taxi, casa-cama, porra por que eu tô com esse sapato de boliche? cadê o meu? por que tu não estava lá quando eu saí do quarto? dei papelão? não, eu não fiz isso! se não lembro, não fiz, blábláblábláblá…

Dia seguinte.

-”Temos que devolver esse sapato lá no Boliche. Aliás, temos merda nenhuma, porque quem saiu com ele de lá foi a Senhora Esponja! Eu não volto naquele lugar nunca mais! A maior vergonha da minha vida! Mór lamaçal de vômito e os caras tiveram que limpar depois! Imagina só, que nojo!”.

-Beleza, então tá resolvido: ele fica aqui com a gente, é um troféu!

“-Um troféu é o cacete! Tu vai devolver essa merda! Tô falando sério…”

-Tá, o dia que eu for naquele shopping, devolvo.

Durante um tempo, ele foi meu troféu mesmo. Todo mundo queria saber a “História do Sapato”. Rendeu muitas risadas. Já fazia parte da decoração do apê. Mas um dia, não conseguindo mais resistir, sucumbimos a vontade de voltar. Era demais jogar boliche lá! Música eletrônica… Fomos. Mas fui disfarçada… De boina!

Mal cheguei na porta, fui o centro das atenções. Culpa da boina. É um acessório, mas aqui ninguém usa. Ai, que povinho uó!

Mas que boina que nada! Havia funcionários novos lá, querendo saber quem eu era. Todos cochichavam e logo ouvia risadinhas, tipo: “Ah, é ela?”. Ou seja, EU ERA FAMOSA NO BOLICHE! Sente só, a mina que vomitou o boliche inteiro!

Com os sapatinhos na mão, fui ao balcão devolvê-los. Na maior cara-de-pau. Poxa já tinham se passado uns 5 meses…Nisso, veio uma funcionária que eu adorava, que sempre nos atendia muito bem. E, sem nenhuma cerimônia disse que precisava muito me apresentar uma pessoa.

Okay.

_”Fulano, quero te apresentar uma pessoa: ESSA é a moça que vomitou o chão que você teve que lavar. E que você vomitou, de nojo. E teve que limpar tudo de novo!

Tinha uma galera de funcionários em volta. A risada foi geral e eu querendo enfiar minha cabeça num buraco, sem saber se estava mais envergonhada pelo rapaz ou por mim.

12
Ago
08

Saindo do Armário

Okay, o dia finalmente chegou.

Era uma idéia que vinha amadurecendo. Pois é, amadureceu. Resolvi e já comecei. O que? A me identificar como a autora desse blog.

Apresentei-o a algumas pessoas. Umas amigas, minha mãe… e mostrei um post para meu ex-marido. Que por sinal, fez aquela cara de ‘porqueelaescreveisso?’, ou seja, a opinião dele não conta, hehehehe.

O resultado foi bom. Uma amiga tem um blog também, a outra quer que eu a ajude a ter um (é… ela é dentista… como você sabe?!). Minha mãe gosta dos textos, mas acho que não curte o conteúdo. Principalmente, os palavrões. Bem, vou tentar maneirar pra ela poder ler…

Fora essas pessoas, já conto desde o começo com um grande incentivador. Ele próprio: O Namorado Lindo! Sem ele, este blog não teria começado como começou ou, talvez, nem existisse! Ó céus!

Bem, agora não há como voltar atrás. Ou há?

Exposição, aí vou eu!

07
Ago
08

Quem não procura também acha

PUTZ GRILO!

Coisa louca essa teia gigantesca em que nos metemos.Flickr, Facebook, Orkut, Twitter e o escambau. Sem querer acabei chegando aonde não queria. Um blog, até então desconhecido. De proprietária conhecida.

CACETA!

Bem, querida… Você já tinha descoberto o meu blog quando ele era secretinho, coisa só minha, diarinho… Num primeiro momento, fiquei chateada, me senti invadida. Como costumo realmente reverter tudo a meu favor, me aproveitei disso e estou me expondo um pouquinho mais.

Quanto ao blog da menina, senti um pouco de tristeza. Li apenas os primeiros posts. Amargura, ranço, desdém, raiva e tudo de pior se misturavam. Parecia um momento ruim para ela. Espero que tenha se recuperado após todos esses meses. Quando eu tiver um tempinho, lerei os mais recentes (ou não…), na esperança de que surjam palavras doces e felizes, dando sinal de que se recuperou.

“Meus amigos, guardo-os perto. Meus inimigos mais perto ainda.

Meus amigos, quero-os felizes. Meus inimigos, mais ainda. “…

…Assim, quem sabe, tiram o foco de mim!

05
Ago
08

Cordão Ceifado

Hoje preciso exorcisar!

Parecia que o dia ia começar bem. Namorado me enche de beijos antes de sair. Pulo e ele me pega no colo. Beijamos, já com saudades.

Durmo ainda por mais uma hora. Levanto, rotina normal. Banho, dentes, adstringente, creme anti-rugas, desodorante, roupa, maquiagem, secador. Voalá!

Já no caminho, celular toca. Secretária, avisando que o primeiro paciente só lembrou agora  – na hora da consulta – que não poderia ir. Okay. Vamos aproveitar e abastecer o carro. Ah, e já que o posto é dentro do supermercado, compro o café da manhã.

Na hora do almoço, recebi a notícia. Reagi bem. Apenas porque ainda não tinha digerido.

Cinco minutos depois, ligo para a pessoa que mais confio. Além de amá-lo, acredito em sua inteligência emocional. Meu amor usa a razão. Não, ele não é uma pessoa fria. De forma alguma.  É racional, coisa que eu, ás vezes, chego a duvidar que sou.

Ele me ouve. Fico mais tranquila. Mas não é o suficiente.

Necessito do seu olhar, do seu abraço forte, da sua presença. A fortaleza que ele é me faz sentir à vontade para ser frágil. Mas, HOJE, ele não poderá me salvar. Não poderá ser forte por mim. Não virá extrair minha dor com seus carinhos. HOJE NÃO.

O dia está chegando ao fim. Sinto medo de sucumbir. Apesar do apoio constante, estou só, fisicamente.

(…)

O dia acabou. 0:00h, em ponto. Estou escrevendo agora. E me sinto forte. Não tenho mais medo.

Algo em mim mudou…

Não sei mais de que cor é minha vida.

Mas quero descobrir logo.




 

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