Arquivo para Setembro, 2008

24
Set
08

Vida de sozinha

Nunca havia morado só. Não tinha tido vontade até então.

Agosto de 2007.

Numa mesa de bar -e onde mais podria ser…- numa conversa entre amigos novos (de idade, mas de longa, longa data) escutei o que seria ser auto-suficiente nessa vida.

Me atraiu.

Tinha glamour. Tinha aventura! Tinha possofazertudodomeujeito. Tinha tempo pra mim. Tinha um estilo de vida que eu não conhecia e eu adoro experimentar coisas.

Setembro de 2008.

Moro só. Há um ano. Faço as coisas na hora que posso quero. Comprei um piano novo. Branco! Lindo! Sonoro! Não tenho tido o tempo que gostaria para tocá-lo. Uma pena… Me sustento muito bem sozinha. Tenho conforto e apoio dos meus pais. Duas grandes preocupações iniciais. Sou, realmente, independente. Isso tem um valor!… Isso tem um gostinho… E ninguém pode interferir nas minhas decisões. Isso é FODA!

22
Set
08

Respeito sem Preconceito

O que são os gays para o mundo?

Importantíssimos, respondo.

Devemos à eles o controle demográfico, menor taxa de natalidade, o controle populacional. Homossexuais não geram bebês ao fazerem amor com alguém do mesmo sexo. E, ao adotarem crianças carentes, colaboram com a diminuição da miséria humana.

Além disso, são excelentes amigos.

Homens gays adoram contar um bafon. São engraçados, divertidos e ótimos companheiros de balada. Sabem sempre o que é in, o que é tendência, o que vai se usar na próxima estação. Dão conselhos impagáveis sobre relacionamentos, porque tem um tanto masculino e outro tanto feminino, que os fazem entender esses dois universos. Tem um pique invejável e topam programas que nem sua melhor amiga toparia numa segunda-feira à noite.

Mulheres gays são corajosas. Encaram tarefas pesadas e mostram a força da ala feminina. Muitas vezes assumem filhos de suas companheiras, desenvolvendo a função paterna nessa relação. Comumente, são “o homem da casa”, provendo sustento e realizando funções típicas dos homens, como a reforma da casa, por exemplo. Mas não deixam de ser mulheres. Carinhosas, atenciosas, gentis e com TPM. Perfumadas, arrumadas e vaidosas, como todas as mulheres. Esqueçam os estereótipos!

Por essas e por outras, amo meus amigos gays. Eu não seria um décimo do que sou hoje, se fosse preconceituosa e não tivesse deixado que entrassem em minha vida. O mundo gay ainda é um gueto. Só que menos espremido que há uma década atrás. Em países mais desenvolvidos, não existem “baladas gays”. Todos, sem discriminação, frequentam os mesmos lugares. E demonstram carinho em público sim, por que não? Precisamos aprender a enxergar que a vida é mais do que esse quadradinho mundo heterossexual. Cheio de perversões, por sinal… O mundo é redondo e podemos cirandar, se todos dermos as mãos.

* dedico este post à dois dos meus melhores amigos: Helinho e Geórgia. Amo vocês, pra vida toda.

20
Set
08

Ah, se chovesse pinto…

Se chovesse pinto

Dispensaria o guarda-chuva

Para que pingassem em minha cabeça

E me rolassem pelos ombros.

Queria que fossem coloridos

De modelos diferentes

E que, ao tocar o solo

Quicassem (e brilhassem!)…

Nesse dia, chamaria minhas amigas

Para ver o espetáculo

Pintos caindo do céu

De todas as formas e tamanhos!

Nesse dia, com certeza

Ninguém se preocuparia com a chapinha

Nem com a escova

Nem por ficar molhadinha.

16
Set
08

A escolha de não olhar

Confesso que costumo fugir de algumas situações. Velório/enterro é uma delas.

E isso se deve não apenas ao fato do choro compulsivo e à tristeza iminente dos presentes. Tampouco ao medo de gente morta. Isso não me abala…

O que não gosto mesmo é de ver o corpo no caixão.

Explicarei:

Sempre que vejo um defunto, perpetuo essa imagem, e tudo que lembro desse ser após esse momento se apaga (infelizmente). Isso me incomoda profundamente. E, com toda certeza, o responsável por isso foi meu irmão mais velho. Ele morreu há dezesseis anos e nunca me perdoei por ter olhado para dentro de seu ataúde. Ali, vi um rosto que não era dele. Um corpo inanimado, judiado por uma terrível doença. Meu irmão, tão extrovertido, alegre, forte, bonito, havia se resumido naquilo. Aquele não era ele. Mas a imagem que tive, ao lembrar dele, durante muitos anos, foi essa.

Quando as pessoas se vão deixam algo que, em algum momento, nos farão lembrar delas. E, às vezes, elas partem sem ter, de fato, morrido. Elas podem, simplesmente, ter saído de nossas vidas, por motivos diversos: mudança de endereço, separação, desavença de qualquer espécie, e por aí vai…

E o mais triste, nessas situações, é que não temos a chance de não olhar pra dentro de seus caixões.

06
Set
08

SURPRISE!!!

Fim-de-semana (com hífem ou sem? hífem, com assento ou sem?) passado, dentro de um contexto watever, soltei um : “Mulher ADOOOORA ser surpeendida!”.

Será???

Ontem, após o trabalho, fui à academia. “Linda aula!” Saí mais bem disposta. Afinal, não queria “morgar”.

Minha amiga, Thaís, liga pra mim e diz que já está indo pra minha casa. “Hummm, preciso me agilizar”, penso.

-Beleza! Tu vai passar no posto pra abastecer o carro? (…) É! É Fee Ligth, azul, de caixinha. Ah! Traz breja. Não tem nada pra beber. Vou tomando banho. (…) Entra pela porta de serviço, vou deixar destrancada.

No carro, à caminho de casa, fui ouvindo um podcast no celular. Dei uma aceleradinha e tentei chegar em casa o mais rápido possível. Ao mesmo tempo, ia trocando torpedos no celular com meu namorado. Queria saber onde estava. “Queria tanto que ele viesse hoje!…”. Fiquei xavecando-o o dia todo pra descer, hehehe… Mas, quando pergunto onde está, diz que acabou de chegar em casa e está esparramado na cama… Fico chateada, mas entendo. “Ele teria que vir dois dias seguidos… Fora acordar cedo, no outro dia ficar um zumbi, o desgaste que é fazer isso…”-entendo numa boa- “Ligo pro gato quando chegar em casa…”.

O podcast estava “maneiro”. Estacionei o carro na garagem do prédio e subi pelo elevador. Escutando o podcast na caixinha de som do celular. Cheguei. “Vou ter que me arrumar voando!”

Abri a porta e me assustei. A luz da sala estava acesa. Não tenho o costume de sair de casa e deixar luz acesa. Estranhei demais e não fechei a porta. Mas desliguei o áudio do celular. Fui ascendendo a luz da cozinha, da área de serviço, do corredor, do banheiro social… “Meu pai tem a chave de casa. Minha mãe também. Hoje não é dia de empregada vir…”

A luz do banheiro ilumina meu quarto (que fica logo à frente) e…

-Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! Que susto, CARALHO!

Senti meu coração no palato, minhas pernas amoleceram, quase tive um treco!

Quando ascendi a luz do banheiro, vi um VULTO na minha cama!

(Era meu namorado…)

Eu não disse que “Mulheres ADOOOOORAM surpesas!”?

Ele quis fazer uma pra mim…




 

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