Arquivo para Maio, 2009

27
Mai
09

Minha falta de espiritualidade

Acredito nunca ter dito aqui minha posição religiosa. E devo ter pulado esse assunto justamente por não ter posição alguma.

Hoje, na minha visita semanal à analista (que é uma coisa totalmente nova na minha antiga vida de mulhermadurabemresolvida) senti uma enorme necessidade de entender os motivos que me levam a não aceitar a existência de um ser superior exotérico, de um criador, de algo que faça o universo funcionar e ser da forma que é, enfim, o fato é que não tenho FÉ.

Sou cética. E absolutamente científica. E fui criada por uma mãe atéia convicta. E acreditava, na minha vã ingenuidade, que a causa da minha “ateísse” era essa. Descobri que não é.

A minha não-aceitação começa pelo meu EGO de 5 metros de altura que me fez acreditar que ninguém precisa/pode/consegue cuidar de mim. Eu me basto. Eu me acalento. Eu me consolo. Eu me cuido. Eu me sustento. Eu me… E, ainda po cima, ajudo e cuido de todos ao meu redor. Mas isso já é outra coisa: é meu estilo próprio de ser controladora. E, entendam bem, TODOS GOSTAMOS DE TER CONTROLE SOBRE AS COISAS, de TER PODER, isso não é um defeito, é só uma das milhões de características dos animais, até dos irracionais.

Comecei a entender o que é Deus. Deus é pai. E o meu… é maravilhoso, mas não protetor! Tá, Deus é mãe, então. Mas, coitada, sempre trabalhou tanto que não tinha tempo de cuidar de mim. Ok, Deus é avô, avó, tio, tia, padrinho, madrinha, irmão, irmã… É. Eu, realmente não tenho ninguém que seja, de alguma forma, meu alicerce, meu protetor, em que eu possa confiar cegamente, que eu possa ter certeza absoluta de contar e confiar a não ser eu mesma.

Essa falta toda me fez ter fé apenas em mim.  

Hoje, começa meu ano novo. Sim, porque é o início de uma fase de profunda transformação. Não de forma desordenada, como estou acostumada. Mas sim, de forma consciente. 

Vamos às propostas de ano novo!

  • Abrir meu coração para o que não tem explicação;
  • Cuidar do meu templo:
    • me alimentando melhor,
    • diminuindo a manguaça (rs),
    • parando de fumar,
    • praticando atividade física regularmente;
  • Curtir mais o meu tempo sozinha;
  • Não me permitir relações do tipo “muleta”;
  • Usar melhor minha sensibilidade;
  • Não interromper nenhum dos projetos já iniciados (piano, inglês, terapia, viagens) nem por um caralho! :)

A intenção deste post é, como a do blog todo, exteriorizar teriorizando. A “terapia da escrita” me faz bem. Essas reflexões me trazem compreensão. E escrever minhas metas selam o compromisso, comigo, de alcançá-las.

Aos que torcem por mim, agradeço de coração. Aos voyers/espectadores, aguardem as cenas dos próximos capítulos. Aos que passaram por aqui sem querer, foi mal pelo desabafo e, se chegaram até aqui, valeu pela paciência. E, se tem alguém que torce contra, vá pra putaqueopariu!

19
Mai
09

Dando a volta por cima

Mas enquanto estou viva

Cheia de graça

Talvez ainda faça

Um monte de gente feliz!!!

;)

19
Mai
09

A força que vem da fragilidade

Essa não sou eu.

E não quero ser mais essa.

Quero ser aquela

Que morava lá atrás

Que era muito risonha

Segura e feliz da vida.

Olhava sempre pra frente

Quase nunca pra baixo

Que achava graça de tudo

E que de tudo fazia graça

Era bonita aquela moça…

Tinha um brilho incrível nos olhos!

Eu muito gostava dela…

Era charmosa, bem cuidada

Tão grande e tão pequena

Tão séria e tão maluca

Tão frágil e tão forte

E tantas mais tantas juntas

Que formavam uma mulher que eu amava.

Essa mulher era  EU.

18
Mai
09

Era rosa, virou cinza.

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Se minhas sinapses funcionassem corretamente, captariam essa serotonina que teima em escapar. Ela me prega peças e me transforma em algo que nunca fui. Deixa meu coração apertado, taquicárdico e a sensação que eu tenho é a de ser um gato, com um tufo de pelos entalado no esôfago. Acho que é por isso que enjôo tanto… A fome, que eu tolamente acreditava ser minha inimiga, me deixou. Minha bunda também. As roupas teimam em escorregar do meu corpo. Hoje acordei com a sensação de pesar 20kg. Frágil e quebradiça, seca e desarrumada, agradeci a Deus por não ter que chegar cedo ao trabalho. Toquei músicas melancólicas ao piano e fui me sentar na rede da varanda com meu atual companheiro, o cigarro. Olhei para o remédio que me foi receitado e, após quase duas semanas de uso ininterrupto, começo a me resignar de sua necessidade. Tomo um inteiro (já que me resignei mesmo…) e espero fazer efeito enquanto choro no chuveiro. As lágrimas se misturam com a água que jorra e, assim, não me envergonho tanto delas. Seco-as como quem seca apenas um rosto molhado pelo banho.

Está sol e já não sei se isso é melhor que a chuva e o cinza.

13
Mai
09

A sobra da falta

Quando me faltam as palavras

Me sobram os sentimentos

Quando me falta experiência

Me sobram conselhos

Quando me falta a paixão

Me sobra tesão

Quando me falta o sexo

Me sobra amizade

Quando me falta o amor

Me sobra… AMOR




 

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