Arquivo para Julho, 2009

31
Jul
09

Grow up! (ou a síndrome de Peter Pan)

Ser criança – para quem já é adulto –  parece tarefa fácil. Não se paga contas, não existe stress, não há traumas nem coração partido. É só brincar, estudar e passear. E, claro, ser bonzinho para ganhar o que se deseja. Certo?

Essa é a imagem que temos de como é ser criança. É claro que a infância não se resume a isso e muitas cicatrizes, traumas, tiques e manias são provenientes desta tenra fase. Mas, quando nos tornamos adultos, esquecemos a parte ruim de ser um infante. E, justamente por essa anulação de memórias ruins do passado é que, alguns de nós não querem crescer nunca.

Conheço homens e mulheres que agem como se seus pais nunca fossem morrer. Não se incomodam em, já adultos, continuarem a depender, não só financeiramente, mas também emocionalmente da família. Usam a falta de dinheiro para encobrir muitas outras coisas.

O comodismo é uma delas. Para quê ter que se preocupar com a manutenção, limpeza, alimentação, vestimenta e outras cossitas, se mamãe faz tudo tão perfeitamente? Aliás, isso é um grande problema pois nunca, NEVER mesmo, o(a) acomodado(a) vai achar alguém igual ou melhor que sua santa mãezinha. E, se achar e você for essa pessoa, DANÇOU! Uma cobrança absurda vai se abater sobre você. Toda sorte de comparações será lançada sobre ti, ó pobre criatura!

Outro problema que os “filhinhos da mamãe” tem é a dependência psicológica. Afinal de contas, amor de mãe (e de pai, claro) é incondicional, o que confere à isso uma enorme tendência ao protecionismo. Qual a vantagem de enfrentar esse mundo cruel, do outro lado do muro da casa de seus pais, se lá você recebe todo suporte, apoio, carinho e compreensão do mundo? O mundo cruel é feito de gente igualmente cruel e enfrentá-los não é nada fácil. Continuar deitado no sofá da sala comendo aquela pipoquinha que só sua mãe sabe fazer enquanto recebe um cafuné da mesma é infinitamente melhor, não é mesmo?

A covardia também é outra característica dessa ‘tchurminha’. É um tal de medo de não ter dinheiro suficiente, medo de ficar sozinho em casa ( e de ter que aguentar a própria chatice companhia), medo do escuro, do bicho papão, do homem do saco, do Freddy Krueger, do Coelhinho da Páscoa… ops, esse último é bonzinho, traz chocolate, erro meu. Enfim, é tanto medo que o covarde até acredita que tem motivo suficiente para não encarar o mundo. E seus pais puxam a coberta e lhes cobrem os olhos, para que não vejam como o mundo é. Porque o mundo dá medo mesmo.

Além disso, há o mimado que não vai perder o conforto que tem na casa dos pais para passar “necessidade” fora de casa, tem o incompreendido que só se sente adequado junto dos seus, tem o preguiçoso que não consegue conceber que vai ter que lavar e passar sua própria roupa…

O que vejo é que a minha geração sofreu de um despreparo total por parte dos pais, que na ânsia de tudo prover, mimaram e protegeram demais os seus pimpolhos. Não tenho filhos, mas imagino o quão difícil deve ser criá-los, educá-los, prepará-los para o mundo e então soltá-los. É muito fácil  ”perder a mão” nessa difícil missão. Sinto dizer, mas somos uma geração de estragados.

Aqui com meus botões, me pego sempre me questionando se um dia terei capacidade de preparar outro ser humano para ser um adulto de verdade. A realidade é que, enquanto eu me questionar, nunca me sentirei devidamente preparada para ser mãe. Para isso, tenho eu minhas próprias desculpas. Esfarrapadas ou não.

27
Jul
09

Admita!!!

Já gostei e desgostei de Pitty. Mas essa música é realmente FODA!

27
Jul
09

Qual seria o valor do natural se não houvesse o artificial?

Acordei agora. E tudo que preciso é reconhecer. Reconheço a verdade. Ela, que me persegue até em sonho.

Por que,  às vezes, a ficha demora tanto pra cair?

24
Jul
09

La donna è mobile?

Desde muito nova, ouço minha mãe cantar essa música para mim.

Gostaria de ser tão volúvel quanto ela acha que sou.

Prestem atenção na tradução:

“A mulher é móvel
Como pluma ao vento,
Muda de acento
E de pensamento.

Sempre um amável,
Gracioso rosto,
Em pranto ou em riso,
É mentiroso.

A mulher é móvel
Como pluma ao vento,
Muda de acento
E de pensamento.

E de pensamento.
E de pensamento.

È sempre um infeliz
Quem a ela se entrega,
Quem lhe confia
Incautamente o coração.

Também nunca sente-se
Feliz em cheio
Quem naquele seio
Não saboreia amor.

A mulher é móvel
Como pluma ao vento,
Muda de acento
E de pensamento.

E de pensamento.
E de pensamento!”

“Eu me torno temporariamente responsável por aquele, enquanto o cativo. E eternamente cativada por quem se responsabiliza por mim.” Essa é minha versão para a ‘célebre’ frase de Saint-Exupéry. Cada pensador, uma sentença…

13
Jul
09

Eu e o liliputiano

Pensei que era capaz de racionalizar minhas emoções. Acreditei que meu cérebro poderia dominar meu coração. E decidi não me envolver. Enumerei razões. Me tornei quase inacessivel. Vesti uma faixa que estampava: “FECHADA PARA BALANÇO”, em caixa alta e letras garrafais. Mandei reformar minha armadura, pois estava há muito sem uso, e a vesti. Me dediquei a conhecer pessoas com a intenção de ganhar nada mais que seus corações. De forma pura, sem os artifícios da minha aura sexual. E ganhei.

E, quando achei que estava imune, uma pessoa surgiu. E, por não me sentir ameaçada, zombei da força que teria sobre mim. Inúmeras foram as vezes em que ditei minhas regras e discursei meu texto batido. Mas persistência era seu sobrenome. Por mais motivos que eu desse para que desistisse de mim, não arredou o pé do meu lado. O pus em teste e, mesmo sabendo disso, me enfrentou. Listei impecilhos, nem assim se abalou.

O  amor é aprendido?

O amor é circunstancial?

O que é o amor, afinal?

O que sei é que me sinto o Gulliver e esse pequeno liliputiano possui uma pequena picareta, que usa todos os dias para quebrar uma grossa crosta que se formou ao redor do meu coração. É uma tarefa difícil para alguém tão pequenino. Mas ao executá-la, ele parece crescer a olhos vistos, o que faz de sua árdua tarefa algo gratificante. E sua felicidade me contagia.

É um mutualismo interessante, pois ao contrário do parasitismo, onde apenas um se beneficia, nós somos nutrição, um para o outro, numa via de mão dupla, em algo que prezo: re-ci-pro-ci-da-de. Não quero não preciso nem espero receber mais do que dou. Essa é minha conta certa. Noves fora!




 

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