Eis que um belo dia alguém te CONTA algo que você nem queria saber. Mas, por pura INOCÊNCIA, decide NÃO IGNORAR. Ouve, ouve, OUVE e o tal do “grilo falante” que habita sua CONSCIÊNCIA, começa a te perturbar. O grilo diz: “Não ignore os SINAIS que a vida te dá. Eles são uma chance de MUDAR as coisas. Se der as costas para esses alertas, não poderá reclamar no FUTURO.”

É óbvio que escutei o grilo e o OBEDECI para que parasse de cricrilar loucamente em minha cachola. Resultado: CUTUQUEI o vespeiro. Ou melhor, a colméia.
Apesar de ter me desviado da maioria das abelhas-africanas que vieram feroses e furiosas, todas, ao mesmo tempo em minha direção, algumas poucas ME PICARAM.

Seu VENENO continha um poderoso misto de raiva/imcompreensão/ressentimento. Fiquei um tanto zonza, mas consegui me levantar, olhar o zangão com PIEDADE (porque ele realmente não sabe o que faz. Quem, DE FATO, o controla é a abelha-rainha e essa, meus caros, não sai para o ataque. Manda seus súditos BRIGAREM e MORREREM por ELA.) e seguir em busca da CURA para meu envenenamento.
Tomei um remédio que se chama APRENDIZADO. Ele só faz efeito depois de algum TEMPO. Mas funciona. Alivia as dores do EGO, acalma as mágoas da ALMA, limpa a MENTE e purifica o CORAÇÃO. Ensina a FILTRAR o que se ouve.

E, principalmente, a PONDERAR o que sai de nossas bocas.
Posts Categorizados ‘#bocagrande
O grilo, a abelha e o zangão
Acredito que todos nós, em algum momento, já tivemos a sensação de ser um peixe fora d’água. Situação incômoda essa, não? Ela pode acontecer naturalmente e podemos notá-la de imediato, como por exemplo, ao entrar em um ambiente em que destonamos do todo. Pode ser uma roupa que não combina com o evento, pode ser que o grupo que ali se encontre seja totalmente diferente daquilo que você está habituado, mas a sensação é de desadequação. E quem passa por isso sente desconforto. Isso é fato.
Somos a somatória das experiências pelas quais passamos.
Se num determinado dia, fizemos algo engraçado causando risos ao redor e isso resultou numa sensação de alegria ou euforia, tendemos a repetir este feito. E assim, surgem os piadistas ou ”palhaços da turma”. Se descobrimos que as pessoas nos admiram pela inteligência, estudamos, lemos e nos informamos mais à fim de que continuem nos admirando. Se notamos olhares de cobiça sobre nosso corpo (ou cabelo, pele, whatever), tentamos mantê-lo belo, e por aí vai, pois o ser humano procura ser aceito de alguma forma pela sociedade em que vive.
Alguns de nós consegue, pela vida toda (ou em grande parte dela), simular ser algo que não é. Sorri quando tem vontade de fazer cara feia; dá tapinha nas costas de outro quando, na verdade, morre de vontade de dar-lhe uma facada; finge amizade enquanto maldiz (mesmo que em pensamento); segura todo tipo de impulso, pois não se aceita e morre de medo que não o aceitem também. Isso chama-se: HIPOCRISIA. É uma palavra forte (por isso usei caixa alta) e uma atitude necessária a quem vive em sociedade, desde que em pequenas doses. Do contrário, torna-se mau-caratismo.
(In)Felizmente – não sei bem ao certo – não sou dotada desse predicado (?). Sofro do inverso: a “Síndrome da Sinceridade Infinita”. Em miúdos, sou aquele tipo de pessoa que ri quando acha graça (em horas impróprias também. Ex: velório, entrega de prêmios, salas lotadas etc), fala num volume mais alto do que deveria coisas que não poderiam ser ouvidas por todos no recinto, conta segredos (na inocência) sem saber que eram segredos, fala verdades para quem acha que precisa ouvir e/ou para quem ninguém tem coragem de falar… Enfim, sou do time dos “Sem noção”, outro nome possível desta síndrome.
O interessante é que tem que “ter peito” pra ter alguém como eu por perto. Foras e mancadas são minha especialidade, coisas que, para quem tem bom humor, são um prato (bem fundo) cheio de risadas. Esse prato pode conter algumas pitadas de constrangimento, mas tudo depende do paladar de quem o degusta. Minha presença costuma ser muito divertida quando posso ser, autenticamente, EU.
Caso contrário, sinto-me acuada como um cão que o dono quer adestrar.
Boca de Siri
E não é algo do qual eu possa me orgulhar. Ao contrário, é algo que me coloca em situações embaraçosas, testando minha capacidade de me safar, meu jogo de cintura. Culpa de quem? Da minha boca grande (que, na verdade, é bem pequena), aberta e cheia de dentes!
Não consigo ficar calada! Droga!
Acredito ser grande virtude saber silenciar. Ouvir mais que falar. Pensar mais que agir. Saber que sempre tem mais a aprender do que a ensinar.
Será a natureza que me fez assim? É inata essa minha condição? Ou fui influenciada pelo ambiente? Também existe a hipótese de eu realmente ser limitada e não conseguir colocar em prática aquilo que sei que é melhor para mim: CALAR.
A Rainha da Bola-Fora
Mais uma:
Outro dia, na academia, conversando com a instrutora, surgiu o papo : ” quando você morrer, vai querer doar as órgãos?”.
Um senhorzinho, que estava num aparelho próximo à nós, exclamou: “Esse assunto me diz respeito!”. Perguntei: “Qual? Morte ou doação?”, em tom de brincadeira. Ele respodeu: “Morte!”, feliz. Fiquei em choque.
Fora 1:
Eu disse: ” Imagina… O Sr. é tão saudável, vai ter muitos anos de vida ainda!”
Todos em volta riram, já sabendo do que se tratava.
A instrutora explicou: “Não é nada disso! Ele é do Memorial*.”
Eu perguntei: “O Sr. trabalha lá?
Ele afirmou que sim, com a cabeça. Disse que trabalha com vendas. Responsável pelo telemarketing.
Fora 2:
Eu, dona de uma língua-sem-freio, desandei a falar: “Ah, então o senhor é responsável por aquelas ligações que me atrapalham enquanto estou atendendo meus pacientes, insistindo em me fazer pensar na própria morte e querendo que eu me preocupe com o que vai ser feito dos meus restos mortais antes que apodreçam?!? A única certeza que tenho é, que se der pra aproveitar alguma coisa, doem meus órgãos e o que vão fazer com essa casca vazia é problema de quem vai segurar essa bucha! Querem me vender urna de cobre, de prata, de ouro… Ah! Crema essa porra, coloca num saquinho e usa de adubo!”
Espanei.
Os instrutores todos foram se afastando… Climão.
Um tempinho depois, meu instrutor me chamou de longe: “Vem aqui, preciso te explicar um exercício”.
Fui, e ele cochichou no meu ouvido: “Cara, tu não sabe com quem tu tava falando… O cara é o dono do Memorial. E um dos sócios daqui, da academia!”
Está dado o Fora de nº 3!
Imaginem a minha cara quando passo pelo velinho na academia…
Se me conhece, sabe: A MESMA E VELHA CARA-DE-PAU DE SEMPRE!
huahuahuahauahaha!
*cemitério vertical de bacanas, em Santos.

Comentários