Não me lembro de ter passado sequer um ano da minha vida sem que esse pequenino vírus filhodeumaputa se manifestasse dentro de mim. Quando criança, é claro, minha mãe passava Vick em mim.
Ainda adolescente, morando sob seu teto, apelava pra chantagem emocional da filhinha dodói -que sempre dava certo- e era agraciada com sopinhas, chazinhos e o bendito Vick Vaporub no peitinho pra “desencatarrar”. (Ô coisa nojenta, sô!).
Isso ficou láááá pra trás. E, de tanto ser importunada pela popularíssima gripe, percebi as etapas que a precediam, seu comportamento e, principalmente, o meu comportamento perante sua manifestação, agora, em minha vida adulta/balzaca.
1ª fase: PROVOCAÇÃO AOS DEUSES:
Aqui é onde tudo se inicia. Está tudo bem, mil-maravilhas. Aliás, tão bem, que me dou o direito a uma extrapoladinha. Ãhnnn, algumas extrapoladinhas… Ah, tá, vamos deixar de viadagem e falar a verdade!: me acho no direito e encho a cara de segunda à quinta à noite. Na sexta de manhã, ressaca tipo “bate-estaca”, digo que estou com sinusite e não vou trabalhar (melhor assim, do que dar 20% de mim no atendimento, não acham?). Durmo até meio-dia, o sol está lindo lá fora, descaradamente vou tomar um solzinho na piscina.
2ª fase: AVISO DOS DEUSES:
Sexta à noite. Uma leve dor de garganta sinaliza que algo não vai bem.
3ª fase: ABUSO DA BOA VONTADE DOS DEUSES:
O que eu deveria fazer? Tomar vtamina C, um chá quentinho com mel, descansar, blá, blá, blá… O que eu faço? Tomo uma breja bem gelada na mesa da calçada, na frente do bar no sereno e fumo uns cigarrinhos, que me arranham mais a garganta. No sábado,vou à casa da sogra, que me oferece “aqulela” caipiuva irresistível. Tô em jejum, mas na segunda vez que ela oferece, me rendo. Além do mais, é falta de educação recusar o que a sogrinha faz de tão bom grado, né? À noite, arrisco uma baladinha. Curto um eletro. Duble tequila até às 3 da matina. Não tô à fim. (Será minha salvação?!!). Peço vodka com energético, que é mais minha cara. Tempinho chuvoso… Levar guarda-chuva pra balada? No way! Chuvinha pra entrar, chuvinha -com o corpo quente de tanto dançar- pra sair.
4ª fase: PEQUENA TENTATIVA DE REDENÇÃO:
No domingo me nego a beber. Almoço com o sogrão, todos bebem menos eu -CUZONA! O cigarro acabou e não compro outro maço. A dor de garganta começa a me chatear de verdade. Tomo uma vitamina C (finalmente, sua anta!) e fico de boa, em casa. Na segunda vou trabalhar meio zoada, mas me recupero durante o dia. Uma amiga me liga e diz que uma das “Ponas” (qualquer dia explico do que se trata) que está morando na Bahia, veio fazer-nos uma visita relâmpago. Digo que tudo bem, mas sem bebida, que não tô podendo. Vou pra academia à noite, tomo um chuvisquinho na saída, coisa à tôa…
5ª fase: PEDINDO AOS DEUSES PARA SE FODER:
A amiga veio da Bahia. O melhor-amigo-gay, mudando-se pra Natal. Uno todos em casa, é claro! Mais algumas pessoas e pronto: temos que brindar! Saco a rolha de um vinho tinto (o único da casa), geladéééérrimo, e brindamos às mudanças na vida de todos em 2008. Todos fumamos uns cigarros e bebemos. Começou a beber, meu amigo, fodeu! Foi um tal de neguinho vasculhar minha geladeira, até que… “Olha só, tem um Prosseco aqui, e essa maldita escondendo da gente!”, diz a bicha. Abriremos, pois. Beberemos, pois. Tomarei, só eu, no meio do meu cu, pois!
6ª e última fase: A IRA DOS DEUSES SE VOLTA CONTRA MIM ou OS DEUSES COMEM MEU CU COM SUA PICA GIGANTE:
Terça-feira. Estou com sinusite – TÓÓÓÓMA!. Desmarco todo mundo de manhã. Vou trabalhar à tarde e não aguento. Volto pra casa com dores pelo corpo todo. Quarta. Acordo parecendo um defunto. A noite foi péssima, não conseguia respirar. Coriza intercalando com a congestão nasal, dores nos dentes superiores, devido à sinusite nos seios maxilares, cefaléia a mil. Fui na massagista saindo do consultório. precisava de um carinho. Ganhei foi é um monte de porrada nas costelas. Pra soltar o (argh!) catarro, segundo ela. Dormi e sonhei com zumbis. Acordei, fui tomar o xarope pra tosse e derrubei o melado todo em mim e no chão da cozinha. Limpei o chão e tive que tomar banho. ÀS 5 DA MATINA! Não consegui mais dormir por causa do pesadelo. Quinta: trabalhei o dia todo e tô aqui, tossindo como um cadela, entre lenços de papel, descongestionante nasal em gotas e em comprimidos, antibiótico, antinflamatório e xarope.
Além do sofrimento físico, sinto o sofrimento monetário, por ter gasto com remédios e que poderia ter usado pra comprar uma blusinha bacana ou… pagado a conta do bar. Humpf!
Comentários