Posts Categorizados ‘humor

19
Jan
09

Dois Lesados e Um Molho de Chaves

Ontem à noite, fui visitar um casal de amigos que mora em São Paulo. Eles fazem a linha alternativo-bicho-grilo-hi tech, saca? Modernosos, lesados e antenados ao extremo. E aí, o papo ( e “os goró”, rs) rola solto. Sempre tem novidade. Sempre tem história. E num dado momento – o momento em que o vinho acabou – decidimos ir até a Vila Madalena.

Eu, já estava meio “beuda”. E, ao chegarmos na Vila, os bares já estavam fechando. Não fiz questão de continuar a noitada, pois logo cedo teria que voltar pra São Vicente e atender uma montanha de pacientes. Todos concordaram em voltar para suas casas. Estávamos no meu carro e demos carona aos dois.

Ao acordar hoje, peguei meu celular “x” e tinha 9 ligações perdidas de números com DDD 11. Dei uma olhada no celular “y” e mais 15 ligações perdidas, de DDD também 11. Fiquei assustada e retornei para um dos números, que era o que tinha mais chamadas não atendidas. Atendeu um moço com voz de caipira. Perguntei se tinha me ligado ( é claro que tinha, né pô!, mas perguntei por educação). E não é que o cara me respondeu que não!!! Disse que já estava até dormindo no horário das chamadas…

Fiquei sem entender nada.

Quando estava no caminho de volta pra Baixada (Santista), meu amigo (o do casal de ontem) liga no meu celular. Atendo e ele conta que esqueceu as chaves do apê deles no meu carro. Tentaram me ligar infinitas vezes do celular da esposa dele que estava sem créditos e acharam que, por isso, não completava a ligação. Poucas almas na rua naquele horário fizeram com que eles entrassem em um supermercado 24 horas. E que recorressem à uma caridosa (alma). E que pedissem seu celular emprestado (com créditos, claro) para me ligar. Ligaram, ligaram e ligaram (daí o telefone, na lista de chamadas perdidas, do caipira que disse estar dormindo. No mínimo estava aprontando e achou que a namorada mandou alguém checar o que ele estava fazendo na madruga de ontem. Ou não. Que seja). E, percebendo que eu não atenderia, desistiram. E voltaram à porta de seu prédio. Nenhum vizinho para socorrê-los e abrir o portão. Pensaram numa solução. Ele, tão absurdamente magro quanto alto, pulou o portão de grade da frente do predinho de três andares. E ajudou a moça – que faz o tipo mignon -  a pular também.

Foi nesse ponto que perceberam que havia ainda mais uma porta – a que separa o pátio, aréa comum do prédio, das escadarias que levam aos apartamentos – e que ela estava trancada. A Síndrome do Incômodo Alheio, tão peculiar nos dias atuais, não deixou que os dois berrassem para que seus vizinhos abrissem a porta. Também, isso não faria a menor diferença, já que a porta de seu apartamento estava igualmente selada. A moça, então, teve uma idéia e sem compartilhar com seu companheiro, colocou-a em prática. E num movimento que faria inveja até no homem-aranha, a guria ESCALOU O PRÉDIO e deu um SALTO MORTAL DE COSTAS para dentro da varanda, pois havia lembrado que deixara a porta da cozinha – que dava na varanda, oras vejam que coincidência! – destrancada.

Meu querido amigo ficou, nesse instante, mais orgulhoso ainda da mulher que ele pediu em casamento há pouco menos de um mês. Também, não é em qualquer esquina que se acha uma ninja!!!

P.S. : Como eu queria ter visto essa cena da escalada! Ah, como eu queria…

05
Jan
09

ENFEZADA

Meu humor está uma droga

Minha pele, um Chokito

Meu cabelo, oleoso

Minha bunda, ondulada

Tudo o que como desce mal

Azia, ânsia, mal-estar

O ventre inhchado denuncia

Quanto tempo levará?

Tenho medo que vá doer

Penso em métodos alternativos

Chacras, respiração, contrações

Apelo para a alopatia

Mas nada, nada mesmo

Tira de mim essa sensação

De que sou uma grande

Bomba-relógio de cocô.

16
Dez
08

Só acontece comigo?

San Van Selva, para os íntimos. São Vicente, para os menos íntimos, é uma cidade cheia de peculiaridades. Uma delas é o preço das mercadorias extremamente mais baixo, se comparado à cidade vizinha, Santos, que é onde resido. Por conta disso, sempre que saio do consultório, acabo não resistindo e me enfiando em uma banquinha promocional.

Hoje não foi diferente…

Soutiens de microfibra à R$9,90. Um absurdo de barato!

Comecei a “cavocar” a banca, juntamente com mais uma dezena de mulheres, a procura do tamanho M, quando, de repente, a voz do Silvio Santos brada ao microfone:

_ Ahai, hihi, ma oi! Olha quem está prestigiando nossa humilde loja! É a Dra. Anelisa (+ sobrenome completo!!!)! Ela está aproveitando a promoção de soutien de microfibra, minha gente!

Bem, nesse momento, tive um impulso de mergulhar no meio do mar de lingerie que se encontrava a minha frente, na intenção de me esconder. Mas pensei melhor e percebi que iria piorar a situação e acabaria me estrumbicando no chão, finalizando a cena com um par de bojos enfeitando minha cabeça como orelhas do Mickey.

Passado o devaneio, olhei para o rapaz e o reconheci como um paciente. Política como sou, sorri e perguntei se ele cobraria a propaganda. Tapou o microfone e disse que não. Pedi para que anunciasse então o endereço do consultório. Não podia perder o rebolado, não acham? As mulheres em volta me olhavam como se eu fosse uma celebridade e pediam para que eu repetisse o endereço, pediram cartões, foi aquela farra.

Passada tota balbúrdia, respirei aliviada, peguei as peças que tinha gostado e comecei a caminhar em direção ao provador quando, então, o locutor enche a boca e grita:

_  Ela é boooooooooaaaaa demaaaaaisssssss, muito booooooooooaaaaaaaaa…

Olho pra ele, séria, com cara de brava e ele complementa (com voz grave e cara de safado):

_… dentiiiiiiiiiiisssta!!!

15
Ago
08

“Dance Boliche”

Isso foi há alguns anos atrás.

Noite de sexta. Nossa nova diversão era ir ao boliche. Mas não era um boliche qualquer… Não senhor! Vou explicar como era.

Ficava dentro do Shopping da Praia Grande. Era novinho, todo bonito! E serviam bebida alcoólica!  E tinha DJ!

Quando dava meia-noite, as luzes se apagavam, os pinos ficavam neon e a luz estroboscópica deixava a gente com mais vontade de beber. E a gente dançava. E jogava boliche. E era uma loucura!…

Num belo dia, aliás, noite, bebi o de sempre: vodka com energético. Só que muito. Curti pacas, mas terminei no banheiro do boliche, querendo vomitar e achando que era impossível, pois havia operado uma hérnia no esôfago e, pelo que diziam, nunca mais conseguiria vomitar. Fiquei mal. Tive que ser levada no colo. No colo fui, no colo vomitei. Meu ex-marido só soube que eu estava vomitando, quando sentiu uma coisa quentinha lhe escorrer pelo cotovelo. Ele me levando e eu lavando o chão. Coitado, ele tão magricelo, atravessando a praça de alimentação do Shopping, estacionamento, até chegar ao carro… Ufa! Me leva pro Hospital. Soro glicosado na veia. Apago.

-” Tão bonitinha, toda vomitada… Hahahahaha!”.

(…)

-”Ô, acorda, já tá melhor? Consegue levantar, ir pra casa?”.

Abro os olhos remelentos e borrados de rímel, olho ao meu redor, minha cabeça ainda dói. E gira, mas isso só percebi quando levantei. Só que antes de levantar, olho para meus pés e…

Ai, meu deus! TÔ COM A PORRA DO SAPATO DO BOLICHE! Azul com vermelho, não combinava nada com a roupa que eu estava! Droga! Vou ao banheiro, lavar o rosto. O cheiro de vômito tá foda… Eca! Minha blusa tava toda vomitada, perto do pescoço. Lavei do jeito que deu.

Saí do quarto, procurando meu marido, provavelmente bodiado, sentado em alguma cadeira dura. Não achei. Perguntei pros enfermeiros. Me disseram que ele foi pra casa.

Caralho! Eu toda fodida, com a blusa vomitada, o olho borrado, sapato do boliche, sem um puto na carteira… (Aliás, que carteira?).

Não surtei. Fui pro orelhão e liguei pra ele.

-Vem me buscar?

-Ah… Pega um táxi, vai…

-Porra! Não tenho dinheiro, tu nem deixou nada!

-Relaxa, tu sobe em casa, pega o dinheiro, desce e paga o cara…

-Valeu.

Fiz o que ele falou. Móóóóór nhaca de vômito. Falando sério!

Entrei no táxi (cheiro insuportável do meu próprio vômito). Taxi-casa, Casa-dinheiro, dinheiro-taxi, casa-cama, porra por que eu tô com esse sapato de boliche? cadê o meu? por que tu não estava lá quando eu saí do quarto? dei papelão? não, eu não fiz isso! se não lembro, não fiz, blábláblábláblá…

Dia seguinte.

-”Temos que devolver esse sapato lá no Boliche. Aliás, temos merda nenhuma, porque quem saiu com ele de lá foi a Senhora Esponja! Eu não volto naquele lugar nunca mais! A maior vergonha da minha vida! Mór lamaçal de vômito e os caras tiveram que limpar depois! Imagina só, que nojo!”.

-Beleza, então tá resolvido: ele fica aqui com a gente, é um troféu!

“-Um troféu é o cacete! Tu vai devolver essa merda! Tô falando sério…”

-Tá, o dia que eu for naquele shopping, devolvo.

Durante um tempo, ele foi meu troféu mesmo. Todo mundo queria saber a “História do Sapato”. Rendeu muitas risadas. Já fazia parte da decoração do apê. Mas um dia, não conseguindo mais resistir, sucumbimos a vontade de voltar. Era demais jogar boliche lá! Música eletrônica… Fomos. Mas fui disfarçada… De boina!

Mal cheguei na porta, fui o centro das atenções. Culpa da boina. É um acessório, mas aqui ninguém usa. Ai, que povinho uó!

Mas que boina que nada! Havia funcionários novos lá, querendo saber quem eu era. Todos cochichavam e logo ouvia risadinhas, tipo: “Ah, é ela?”. Ou seja, EU ERA FAMOSA NO BOLICHE! Sente só, a mina que vomitou o boliche inteiro!

Com os sapatinhos na mão, fui ao balcão devolvê-los. Na maior cara-de-pau. Poxa já tinham se passado uns 5 meses…Nisso, veio uma funcionária que eu adorava, que sempre nos atendia muito bem. E, sem nenhuma cerimônia disse que precisava muito me apresentar uma pessoa.

Okay.

_”Fulano, quero te apresentar uma pessoa: ESSA é a moça que vomitou o chão que você teve que lavar. E que você vomitou, de nojo. E teve que limpar tudo de novo!

Tinha uma galera de funcionários em volta. A risada foi geral e eu querendo enfiar minha cabeça num buraco, sem saber se estava mais envergonhada pelo rapaz ou por mim.




 

Dezembro 2009
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