Ontem à noite, fui visitar um casal de amigos que mora em São Paulo. Eles fazem a linha alternativo-bicho-grilo-hi tech, saca? Modernosos, lesados e antenados ao extremo. E aí, o papo ( e “os goró”, rs) rola solto. Sempre tem novidade. Sempre tem história. E num dado momento – o momento em que o vinho acabou – decidimos ir até a Vila Madalena.
Eu, já estava meio “beuda”. E, ao chegarmos na Vila, os bares já estavam fechando. Não fiz questão de continuar a noitada, pois logo cedo teria que voltar pra São Vicente e atender uma montanha de pacientes. Todos concordaram em voltar para suas casas. Estávamos no meu carro e demos carona aos dois.
Ao acordar hoje, peguei meu celular “x” e tinha 9 ligações perdidas de números com DDD 11. Dei uma olhada no celular “y” e mais 15 ligações perdidas, de DDD também 11. Fiquei assustada e retornei para um dos números, que era o que tinha mais chamadas não atendidas. Atendeu um moço com voz de caipira. Perguntei se tinha me ligado ( é claro que tinha, né pô!, mas perguntei por educação). E não é que o cara me respondeu que não!!! Disse que já estava até dormindo no horário das chamadas…
Fiquei sem entender nada.
Quando estava no caminho de volta pra Baixada (Santista), meu amigo (o do casal de ontem) liga no meu celular. Atendo e ele conta que esqueceu as chaves do apê deles no meu carro. Tentaram me ligar infinitas vezes do celular da esposa dele que estava sem créditos e acharam que, por isso, não completava a ligação. Poucas almas na rua naquele horário fizeram com que eles entrassem em um supermercado 24 horas. E que recorressem à uma caridosa (alma). E que pedissem seu celular emprestado (com créditos, claro) para me ligar. Ligaram, ligaram e ligaram (daí o telefone, na lista de chamadas perdidas, do caipira que disse estar dormindo. No mínimo estava aprontando e achou que a namorada mandou alguém checar o que ele estava fazendo na madruga de ontem. Ou não. Que seja). E, percebendo que eu não atenderia, desistiram. E voltaram à porta de seu prédio. Nenhum vizinho para socorrê-los e abrir o portão. Pensaram numa solução. Ele, tão absurdamente magro quanto alto, pulou o portão de grade da frente do predinho de três andares. E ajudou a moça – que faz o tipo mignon - a pular também.
Foi nesse ponto que perceberam que havia ainda mais uma porta – a que separa o pátio, aréa comum do prédio, das escadarias que levam aos apartamentos – e que ela estava trancada. A Síndrome do Incômodo Alheio, tão peculiar nos dias atuais, não deixou que os dois berrassem para que seus vizinhos abrissem a porta. Também, isso não faria a menor diferença, já que a porta de seu apartamento estava igualmente selada. A moça, então, teve uma idéia e sem compartilhar com seu companheiro, colocou-a em prática. E num movimento que faria inveja até no homem-aranha, a guria ESCALOU O PRÉDIO e deu um SALTO MORTAL DE COSTAS para dentro da varanda, pois havia lembrado que deixara a porta da cozinha – que dava na varanda, oras vejam que coincidência! – destrancada.
Meu querido amigo ficou, nesse instante, mais orgulhoso ainda da mulher que ele pediu em casamento há pouco menos de um mês. Também, não é em qualquer esquina que se acha uma ninja!!!
P.S. : Como eu queria ter visto essa cena da escalada! Ah, como eu queria…

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