Há muito tempo atrás, havia uma menininha muito sapeca, curiosa e esperta, loirinha, gorduchina e que possuía olhos cor de céu em dia de sol sem nuvens. Seu pai a levava todo domingo ao cinema para, juntos, assistirem aos desenhos da Disney, na extinta “Sessão Coca-Cola”. Ao chegarem em casa, a garotinha e o pai reconstituíam todo o desenho, principalmente aqueles em que o príncipe salvava a princesa de todo e qualquer mal que houvesse se abatido sobre ela. E o pai, com sua voz grave, porém doce, cantarolava as canções do filme, enquanto a menina bailava, vestindo alguma das camisolas da mãe, como se trajasse um vestido de festa.
A menininha virou moça, mas as lembranças dos contos de fada ainda ocupavam sua mente. Apesar de não fazer parte da nobreza, ela acreditava que havia, sim, um príncipe esperando por ela, por aí, em alguma parte do mundo. Conheceu sapos e mais sapos, a quem beijou, não uma, mas diversas vezes, na inocente esperança que se tornassem príncipes. Conheceu alguns príncipes, que após alguns beijos, tornaram-se sapos. E então, tomada pela decepção, decidiu não mais sonhar. Fixou seus pequenos pés no chão. Não deixou, nunca mais, sua imaginação voar.
Já mulher, tornou-se realista. Era mais seguro. Não criava expectativas em relação aos homens. Queria, apenas, ser auto-suficiente, independente e racional. Afastou-se de tudo que não fosse palpável, não queria saber de brumas. Só acreditava no que era material. Sentimentos, para ela, nada mais eram que sinapses, hormônios e enzimas catabolizadas. Não acreditava em Deus, anjos ou demônios. Coração era apenas uma bomba, que fazia o resto do corpo funcionar. Não chegava a ser amarga, mas de menina doce, sobrou uma mulher insossa.
Alguém já ouviu essa história? Aposto que sim. Esse é o reflexo da mulher moderna, castigada pelas decepções e rasteiras que a vida, normalmente, dá. Levar tombos, cair e levantar faz parte do jogo, é natural. O grande problema é: Como fomos preparados pra enxergar o mundo? Sou mulher e posso dizer. Essa história acima é a minha. E olha que eu era um “moleque”, em nada me parecia com uma princesa. Mas, tudo que vi e ouvi quando pequena ficou enraizado na minha cabeça. Tive muita sorte com os príncipes, até… Só que, após um desses me convencer que seria o “homem da minha vida” e, num passe de mágica (como nos desenhos), desistir do título, me senti enganada e acho que é isso que transforma muitas mulheres em seres amargos e rançosos.
Bem… No fundo do poço tem uma mola e, mesmo que ela esteja quebrada, todos nós temos capacidade de escalar as paredes e emergir. É claro que com algumas escoriações e cortes profundos, que o tempo – ah, o tempo! – tem o poder de curar. As cicatrizes são apenas um lembrete da estrada que não se deve seguir. A notícia boa é que existem outros tantos e infinitos caminhos que podem nos levar à felicidade. A lição que eu tirei com minhas desventuras?
“MESMO QUE O PRÍNCIPE ENCANTADO NÃO EXISTA, DEVO SER TRATADA COMO UMA PRINCESA.”
Nem que seja por mim mesma! =D
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Sessão Coca-Cola
Geminiana, meu elemento é o ar.
Dotada de asas, pretendo voar.
O céu só é o limite
Para quem se limita.
Meu horizonte, portanto
É infinito.
Sou uma pessoa completa! =)
Olá, olá, olá!!!
Nesses poucos dias que se passaram, desde o último post, minha vida voltou a ser o turbilhão de sempre. E a felicidade retornou ao coraçãozinho desta pequena.
Voltei a olhar para os lados. E para frente, pro alto, pra trás… Parece que estou redescobrindo a vida. Sinto cheiros, sabores, toques, vejo cores e ouço sons que sempre existiram, mas nunca desta forma, por mim.
Estou solteira pela primeira vez na vida, desde os 13 anos de idade! E, queridos, pra quem não sabe, faço 33 dia 15, agora! São 20 anos acompanhada. São 20 anos de vida compartilhada. São 20 anos acreditando que eu era apenas uma metade que precisava de outra metade pra ser completa. Vinte anos de puro engano…
Vida a dois é uma delícia, não me entendam mal. Mas o conceito da “metade” é um tanto antiquado demais, não acham? E eu era antiga e não sabia. Não sabia que a felicidade é ser completo, do jeito que se é, mas completo. Acho maravilhoso ter um(a) parceiro(a)! Só que não temos que viver em busca incessante só disso, não é meninas? Ser solteira significa ter AUTONOMIA. Pra mim, é isso. É fazer o que quiser e tiver de fazer, sabendo que a consequência e a responsabilidade por tudo é apenas sua (ou minha, no caso).
E vou confessar: ESTOU ADORANDO CONHECER ESSE NOVO MUNDO! Às vezes, tropeço, mas é a primeiríssima vez que caminho só com as minhas pernas, sem o auxilio da mão de ninguém pra atravessar a rua, sem muletas, sem apoio. Não vejo a hora de correr por um parque, com os braços abertos, o cabelo no rosto, gritando qualquer coisa sem ninguém sequer PODER me censurar. Podem me julgar. Isso, não ligo não. Mas me censurar, não mais. Sou LIVRE!
Bem, voltando dessa cena do parque e eu, lembrei de coisinhas mundanas e enchedoras do meu – inseparável - ego: fui eleita, sei lá por quem, uma das TOP 100 do twitter (quem quiser, me segue lá. As besteiras atualizações são mais frequentes). O detalhe é que a gigantesca maioria das outras moças da lista são beeeeem mais jovens que eu. Ponto pra balzaca! Se quiserem dar uma espiada nas moças, clica aqui ó: http://linkninja.com.br/hotsites/top100/
A outra grande nova é a chegada de um novo amor. Estou apaixonada. E o nome dela é Pequena Penélope. Ela é linda, tem olhos verdes, pequenina… e vira-lata! Não sou muito, na verdade, não sou nada de tirar fotos, mas tirarei uma assim que possível, minha com ela, pra vocês entenderem porque me apaixonei tão loucamente por essa gatinha. Tenho certeza que vocês também se apaixonarão!
Fora isso, tô indo para NY com mais três amigos-irmãos-do-meu-coração e essa viagem vai ser foooooda! Pena que é só em setembro… Vai passar rapidinho, eu sei!
Outra coisa é que descobri que sou um partidão. Podem rir, amigos, mas isso é sinal de feridas em processo avançado de cicatrização.
Demorou, mas a paz chegou!
Minha falta de espiritualidade
Acredito nunca ter dito aqui minha posição religiosa. E devo ter pulado esse assunto justamente por não ter posição alguma.
Hoje, na minha visita semanal à analista (que é uma coisa totalmente nova na minha antiga vida de mulhermadurabemresolvida) senti uma enorme necessidade de entender os motivos que me levam a não aceitar a existência de um ser superior exotérico, de um criador, de algo que faça o universo funcionar e ser da forma que é, enfim, o fato é que não tenho FÉ.
Sou cética. E absolutamente científica. E fui criada por uma mãe atéia convicta. E acreditava, na minha vã ingenuidade, que a causa da minha “ateísse” era essa. Descobri que não é.
A minha não-aceitação começa pelo meu EGO de 5 metros de altura que me fez acreditar que ninguém precisa/pode/consegue cuidar de mim. Eu me basto. Eu me acalento. Eu me consolo. Eu me cuido. Eu me sustento. Eu me… E, ainda po cima, ajudo e cuido de todos ao meu redor. Mas isso já é outra coisa: é meu estilo próprio de ser controladora. E, entendam bem, TODOS GOSTAMOS DE TER CONTROLE SOBRE AS COISAS, de TER PODER, isso não é um defeito, é só uma das milhões de características dos animais, até dos irracionais.
Comecei a entender o que é Deus. Deus é pai. E o meu… é maravilhoso, mas não protetor! Tá, Deus é mãe, então. Mas, coitada, sempre trabalhou tanto que não tinha tempo de cuidar de mim. Ok, Deus é avô, avó, tio, tia, padrinho, madrinha, irmão, irmã… É. Eu, realmente não tenho ninguém que seja, de alguma forma, meu alicerce, meu protetor, em que eu possa confiar cegamente, que eu possa ter certeza absoluta de contar e confiar a não ser eu mesma.
Essa falta toda me fez ter fé apenas em mim.
Hoje, começa meu ano novo. Sim, porque é o início de uma fase de profunda transformação. Não de forma desordenada, como estou acostumada. Mas sim, de forma consciente.
Vamos às propostas de ano novo!
- Abrir meu coração para o que não tem explicação;
- Cuidar do meu templo:
- me alimentando melhor,
- diminuindo a manguaça (rs),
- parando de fumar,
- praticando atividade física regularmente;
- Curtir mais o meu tempo sozinha;
- Não me permitir relações do tipo “muleta”;
- Usar melhor minha sensibilidade;
- Não interromper nenhum dos projetos já iniciados (piano, inglês, terapia, viagens) nem por um caralho!
A intenção deste post é, como a do blog todo, exteriorizar teriorizando. A “terapia da escrita” me faz bem. Essas reflexões me trazem compreensão. E escrever minhas metas selam o compromisso, comigo, de alcançá-las.
Aos que torcem por mim, agradeço de coração. Aos voyers/espectadores, aguardem as cenas dos próximos capítulos. Aos que passaram por aqui sem querer, foi mal pelo desabafo e, se chegaram até aqui, valeu pela paciência. E, se tem alguém que torce contra, vá pra putaqueopariu!
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